As redes sociais modificaram drasticamente a maneira como as pessoas se relacionam, em especial no campo afetivo. Algumas situações que suscitam ciúme ou insegurança têm um peso maior no plano virtual. Mas certos posts e atitudes no Facebook, por exemplo, às vezes expressam uma imagem equivocada. Afinal, trata-se de um universo movido pelas aparências onde nem sempre as coisas são como parecem ser na “timeline”. Por isso, veja algumas coisas com as quais você, em princípio, não precisa se preocupar.

1. TROCADILHOS OU BRINCADEIRAS MALICIOSAS COM COLEGAS:

De acordo com a psicoterapeuta Andrea Vaz, da Rhava Psicologia, do Rio de Janeiro (RJ), brincadeiras maliciosas revelam intimidade, e não traição. Segundo a psicóloga clínica Andréa Lorena, de São Paulo (SP), colegas e grupos de amigos têm sua própria linguagem –você e sua turma devem partilhar uma, então por que não deixar o par à vontade para curtir a dele? “Esse tipo de comportamento é típico de pessoas bem-humoradas e divertidas”, completa a psicóloga Raquel Fernandes Marques, da Clínica Anime, de São Paulo (SP). Pare, portanto, de farejar traição onde só há pura diversão.

2. PIADAS “INTERNAS” COM COLEGAS DE TRABALHO:

As pessoas inseguras ou ciumentas tendem a fantasiar sobre o ambiente profissional do parceiro, principalmente quando ele é de uma área diferente ou conhecida pela informalidade. “Só que, em qualquer relacionamento de trabalho, a descontração se faz necessária. Isso não deveria importunar ou incomodar, pelo contrário, você deve perceber e aceitar que as piadas são naturais nas relações entre pessoas. Nem tudo significa envolvimento pessoal”, conta a psicoterapeuta Maura de Albanesi, de São Paulo (SP)

3. EXCESSO DE CURTIDAS DE UM DETERMINADO COLEGA NAS FOTOS OU POSTS:

Muita gente tem o hábito de curtir todas as fotos e postagens dos colegas das redes sociais com o intuito de “apoiar”, de mostrar que está acompanhando a página da pessoa, a vida dela e todas as atividades que ela realiza e/ou participa. “O último intuito aqui é afetivo, tudo não passa de puro e simples coleguismo”, afirma a psicóloga Raquel Fernandes Marques. Para a psicoterapeuta Maura de Albanesi, muitas curtidas são mesmo sinal de vontade de aproximação, porém, não necessariamente o objetivo é um envolvimento amoroso. Outros interesses também podem estar em jogo. “E perceber que o parceiro é citado ou comentado por alguém repetidamente deveria ser, a priori, motivo de admiração”, fala Andrea Vaz, psicoterapeuta do Rio de Janeiro (RJ).

4. DESABAFOS E TROCAS DE CONSELHOS COM AMIGOS:

Mesmo no plano real, esse tipo de intimidade costuma gerar ciúme em pessoas mais inseguras. Porém, na opinião da psicóloga clínica Andrea Lorena, de São Paulo (SP), essa troca é comum e saudável entre amigos íntimos, o que não quer dizer que vá levar a um envolvimento sexual ou amoroso. “Você pode se perguntar: ‘Por que falar sobre isso com o outro e não comigo?’. Mas é preciso compreender que ouvir diversas opiniões auxilia a pessoa a encontrar a saída mais facilmente”, complementa a psicoterapeuta Maura de Albanesi. Dica extra: em vez de alimentar a relação com desconfianças, avalie se tal incômodo não revela que é você quem vem deixando de demonstrar amizade e cumplicidade com o par.

5. FOTO OU CHECK-IN EM QUE O PARCEIRO FOI MARCADO, MAS VOCÊ NÃO SABIA DAQUELA SITUAÇÃO:

O parceiro não comentou que participou do happy hour com a turma da empresa? A namorada não mencionou a pizza na casa dos amigos na noite anterior? E, reflexo dos tempos modernos, você descobriu tudo pelo Facebook, ao ver seu amor marcado nas fotos de alguém? Antes de achar que não teve conhecimento do fato porque seu par quer esconder algo, verifique se a foto foi postada dias após o evento ter ocorrido e o parceiro não relaciona a foto à data de fato, gerando assim uma discussão desnecessária, além de injusta. E ainda: foi uma omissão ou um esquecimento? O acordo estabelecido entre cada casal também conta muito em uma situação com essa. “É normal sentir uma quebra de confiança se a relação foi estabelecida em um dizer ao outro exatamente onde, quando e com quem estará. Caso contrário, que mal há em não comunicar todos os passos que dará?”, pergunta a psicoterapeuta Maura de Albanesi. E não contar num curto espaço de tempo não significa que a pessoa não vai relatar o que aconteceu. Para a psicoterapeuta Andrea Vaz, é importante refletir em situações como essas, pois saber com quem estamos nos relacionando é mais importante do que se surpreender com uma foto ou um check-in.

6. PESSOAS ATRAENTES QUE VOCÊ NÃO CONHECE RECÉM-ADICIONADAS:

É bobagem pensar que representam uma ameaça à relação. Reflita: você também tem pessoas bonitas na sua lista de amigos, não tem? Isso é o mesmo que dizer que se você encontrar com uma pessoa atraente, já estará de caso com ela. “Aceitar amizades nas redes sociais, independentemente se a pessoa é atraente ou não, é como qualquer atividade social: não se avalia por beleza, apenas. No mundo real há pessoas atraentes. Então, o parceiro só pode se relacionar com pessoas que não são atraentes? Isso denota uma tremenda falta de confiança em si e na relação”, explica a psicoterapeuta Maura de Albanesi.

7. PESSOAS DO PASSADO DO SEU PAR QUE VOCÊ NÃO CONHECE:

Preocupar-se com isso é pura insegurança. Tanto um quanto o outro têm pessoas anteriores ao relacionamento atual e não há motivo nenhum para se incomodar com isso. “Se até o momento essas pessoas não tiveram algum tipo de relacionamento afetivo, dificilmente agora isso acontecerá, já que existe uma relação formalizada entre o casal”, pondera a psicóloga clínica Raquel Fernandes Marques

8. EXCESSO DE SELFIES OU FOTOS BONITAS DA PESSOA:

Se você morre de ciúme, pode pensar: afinal, está querendo se mostrar para quem? Só que a vaidade não deveria ser motivo de desconfiança. Se ele ou ela abusa da vaidade e você não suporta tanta ostentação é bom tentar se modificar, porque dificilmente mudamos o outro. “As redes sociais suscitam o exibicionismo e a vontade de provar sempre que estamos bem, alegres e felizes. Não necessariamente o par está querendo conquistar alguém”, explica a psicoterapeuta Maura de Albanesi.

9. POUCAS FOTOS SUAS OU COM VOCÊ:

Na opinião da psicóloga Raquel Fernandes Marques, qualificamos o amor de alguém pelo fato de fazermos parte da vida dele, pelo carinho, atenção, companheirismo, segurança, e não pela quantidade de fotos, posts e declarações nas redes sociais. “O que o casal vive precisa ser sentido e vivido entre eles, e não mostrado ou comprovado publicamente. Se você acha que postagens públicas são formas de demonstrar amor, faça! Só não cobre do outro o mesmo tipo de comportamento, pois cada um demonstra amor à sua maneira”, afirma. Afinal, nem todo mundo curte as redes sociais ou se sente à vontade em exibir sua vida pessoal. São duas as opções: você mesmo expor a relação (e talvez seu amor se incomode com isso) ou aceitar o outro como ele é.

10. INDIRETAS (OU DIRETAS) PARA VOCÊ:

Primeira pergunta a se fazer: são mesmo para você? Cada um sabe o que faz, sendo assim todo mundo tem que lidar com o efeito ação/reação, causa/consequência. “Talvez algum post seja mesmo uma direta ou indireta para você, mas achar que tudo está relacionado a você não passa de puro egocentrismo, pois a outra pessoa tem uma vida ampla, que vai muito além do seu umbigo”, informa a psicóloga Raquel Fernandes Marques, da Clínica Anime, de São Paulo (SP). Na dúvida, pergunte para o par pessoalmente. Nada de embarcar em joguinhos amorosos e enviar posts raivosos ou magoados para todo mundo ver no Facebook.

 


* Matéria publicada em portal de notícias como “UOL – Canal Universa”, com minha colaboração profissional. Clique no link pra ser redirecionado à publicação original: UOL – Canal Universa.